Turismo gastronômico no Brasil: como a nova Lei Geral do Turismo está transformando a experiência do viajante em 2026
O turismo gastronômico ganha força no Brasil enquanto o país bate recordes de visitantes estrangeiros e avança na regulamentação da nova Lei Geral do Turismo, criando um novo panorama para viajantes e profissionais do setor.
O crescimento do turismo gastronômico no Brasil
O Brasil viveu em 2025 um momento histórico no turismo internacional. Com mais de 9 milhões de visitantes estrangeiros — um volume 37% superior ao de 2024 e acima da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo para o período — o país consolidou sua posição no cenário global de viagens. Esse fluxo representou a injeção de aproximadamente US$ 6,6 bilhões na economia nacional entre janeiro e outubro, com forte impacto sobre o setor de alimentação fora do lar, especialmente bares e restaurantes situados em destinos turísticos.
A gastronomia ocupa lugar de destaque nesse contexto. Cada vez mais, o turista estrangeiro que chega ao Brasil busca vivências autênticas e sustentáveis: pratos típicos, ingredientes brasileiros, chefs locais, feiras e mercados públicos. O fenômeno — classificado pela indústria como turismo gastronômico — transformou-se em vetor de desenvolvimento para destinos que antes não figuravam no radar dos viajantes internacionais.
A Revista Tendências do Turismo 2026, elaborada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur e a Braztoa, identificou 18 tendências recorrentes para o setor no corrente ano. Entre elas, a busca por experiências gastronômicas locais aparece como um dos principais fatores que orientam a escolha do destino, ao lado do bem-estar e de grandes eventos esportivos. A publicação reforça que viajantes contemporâneos priorizam jornadas completas, nas quais a comida funciona como porta de entrada para a cultura local.
Para Marcelo Freixo, presidente da Embratur, o sucesso histórico de 2025 é resultado de um reposicionamento estratégico da imagem do Brasil no exterior. "O Brasil está na moda, e em 2026 o turista estrangeiro busca vivências autênticas e sustentáveis, algo que o país provou que entrega com excelência. Apostamos em mostrar ao mundo a diversidade de experiências que o Brasil pode oferecer, do ecoturismo ao afroturismo, de nossas festas populares à gastronomia", afirmou Freixo em entrevista à Abrasel.
As transformações regulatórias: a nova Lei Geral do Turismo
Em setembro de 2024, o Brasil promulgou a atualização da Lei Geral do Turismo (Lei nº 11.771/2008), criando um novo marco regulatório para o setor. A mudança é considerada pela comunidade acadêmica e profissional um avanço significativo, mas ainda insuficiente para garantir que o país explore todo o seu potencial. A avaliação predominante é que o novo marco oferece aprimoramentos relevantes, mas que a aceleração da inovação e a simplificação dos negócios permanecem como desafios centrais.
A nova lei facilita a entrada de investimentos estrangeiros, permite o uso do Fundo Nacional de Aviação Civil para companhias aéreas e abre caminho para a regulamentação de modelos de negócios mais recentes, como o turismo colaborativo e o aluguel de temporada. Essas mudanças respondem a transformações profundas na dinâmica do setor: plataformas digitais reorganizaram a forma como viajantes planejam e consomem experiências turísticas, e a legislação anterior não contemplava essa realidade.
O Ministério do Turismo avançou na regulamentação da nova lei com a realização da segunda reunião ordinária da Câmara Temática de Legislação Turística (CALEG), vinculada ao Conselho Nacional de Turismo. O encontro reuniu representantes do Ministério e de 31 entidades representativas dos setores de turismo para discutir a minuta do decreto que regulamentará a nova legislação. A previsão era de que o decreto fosse publicado até o final de junho de 2025, definindo regras mais simples, objetivas e de fácil entendimento para o setor.
Cristiane Sampaio, secretária-executiva do CNT, enfatizou a importância da construção coletiva dos atos normativos: "A construção coletiva dos atos normativos que regulamentarão a Nova Lei Geral do Turismo é fundamental para garantir segurança jurídica e maior aderência às necessidades do setor." A fala reflete uma preocupação genuína com a adequação das normas às realidades práticas de um setor extremamente fragmentado, que envolve desde grandes redes hoteleiras até operadores de turismo local e prestadores independentes de serviços gastronômicos.
Contrapontos, riscos e limites
Apesar do otimismo com os números recordes de 2025, o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais que restringem o potencial do turismo gastronômico. A infraestrutura de destinos fora dos grandes centros permanece desigual: estradas, saneamento básico, conectividade digital e acessibilidade em restaurantes e estabelecimentos turísticos continuam sendo gargalos que afastam tanto investidores quanto viajantes mais exigentes. A própria Lei Geral do Turismo, mesmo atualizada, ainda não resolve o excesso de burocracia que dificulta a formalização de pequenos empreendimentos gastronômicos, que são justamente os que mais preservam autenticidade cultural.
Há ainda o risco de massificação de destinos que se tornam vítimas do próprio sucesso. Cidades que conquistam projeção internacional por sua gastronomia podem enfrentar pressão sobre preços, especulação imobiliária e perda de identidade cultural. O fenômeno — documentado em destinos como Barcelona, Lisboa e partes da região do México — exige planejamento integrado entre políticas públicas de turismo, regulação urbana e programas de preservação cultural. Sem essa articulação, o turismo gastronômico pode gerar receitas concentradas e custos difusos, prejudicando as próprias comunidades que sustentam a autenticidade dos destinos.
Por fim, a dependência excessiva do turismo internacional traz vulnerabilidades cambiais e geopolíticas. Variações no câmbio, alterações em políticas de visto e eventos climáticos extremos — cada vez mais frequentes no contexto das mudanças climáticas — podem comprometer rapidamente os fluxos turísticos. A diversificação dos mercados emissores e o fortalecimento do turismo doméstico são estratégias necessárias para reduzir essa exposição, mas que exigem políticas de longo prazo e investimentos consistentes. O Brasil precisa construir uma base tourism doméstica mais sólida para complementar o fluxo internacional e reduzir os riscos de oscilações abruptas na demanda.
Fontes consultadas
CNN Brasil — Bem-estar, gastronomia e esporte: 18 tendências do turismo para 2026
Abrasel — Turismo internacional em alta impulsiona bares e restaurantes em 2026
Gov.br — Ministério do Turismo avança na regulamentação da Nova Lei Geral do Turismo
Revista Tendências do Turismo 2026 — Ministério do Turismo, Embratur e Braztoa (PDF)
Jornal do Brasil — Turismo gastronômico ganha protagonismo nos destinos brasileiros
Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação e de forma automatizada. As análises e opiniões expressas não constituem aconselhamento jurídico.
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