James Webb captura imagem mais nítida da superfície de um exoplaneta e revela mundo rochoso similar a Mercúrio
Astrônomos usando o telescópio James Webb conseguiram a primeira observação direta da superfície de um exoplaneta rochoso, revelando um mundo infernal e estéril sem atmosfera, com temperaturas de 725°C de um lado e gélidas do outro.
Um marco na astronomia observacional foi alcançado em maio de 2026: pela primeira vez na história, astrônomos conseguiram obter a visão mais nítida já registrada da superfície de um exoplaneta — um planeta localizado fora do nosso Sistema Solar. A façanha foi possível graças ao Telescópio Espacial James Webb (JWST), operado pela NASA em parceria com agências espaciais europeias e canadenses.
O exoplaneta em questão, batizado de LHS 3844 b e também chamado de Kua'akua — palavra que significa "borboleta" em uma língua indígena costarriquenha —, orbita uma estrela anã vermelha localizada a aproximadamente 49 anos-luz da Terra. O planeta tem um diâmetro cerca de 30% maior que o da Terra e, segundo as observações mais recentes, sua superfície apresenta características notavelmente semelhantes às de Mercúrio, o planeta mais interno do nosso Sistema Solar.
A descoberta que mudou a astronomia planetária
O estudo que descreve a descoberta foi publicado em 4 de maio de 2026 na prestigiada revista Nature Astronomy, coordenado por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pela astrônoma Laura Kreidberg, diretora-geral do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha. A pesquisa representa um avanço sem precedentes na capacidade humana de estudar diretamente a geologia e a composição da superfície de planetas distantes.
"Isso era muito desafiador antes do James Webb. Portanto, isso também põe a Terra e o Sistema Solar como um todo em um contexto mais amplo, permitindo-nos verificar se processos ou composições de superfície familiares dentro do sistema solar são comuns ao redor de outras estrelas também", explicou o astrônomo Sebastian Zieba, do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, em Massachusetts (Estados Unidos), e coautor do estudo.
O JWST permitiu que os pesquisadores detectassem luz — especificamente na região infravermelha do espectro eletromagnético — vindo diretamente da superfície do exoplaneta. Anteriormente, os astrônomos conseguiam estudar apenas atmosferas de exoplanetas, nunca a geologia de suas superfícies com tamanha precisão. "É como se tivéssemos limpado nossos óculos de repente e pudéssemos ver os planetas claramente pela primeira vez", comparou Kreidberg.
Um mundo sem atmosfera e hostil à vida
As observações revelaram um planeta verdadeiramente inóspito. Kua'akua está extremamente próximo de sua estrela, completando uma órbita completa a cada apenas 11 horas. Uma de suas faces está permanentemente voltada para a estrela — um bloqueio de maré similar ao que a Lua apresenta em relação à Terra — enquanto o outro lado permanece permanentemente no escuro.
A temperatura da superfície no lado diurno do planeta atinge aproximadamente 725 graus Celsius. No lado noturno, não foi detectado calor algum, o que confirma a ausência completa de uma atmosfera capaz de distribuir o calor pela superfície. "Este planeta não é um lugar agradável. É uma rocha infernal e estéril, muito mais parecida com Mercúrio do que com a Terra. Não há nenhum vestígio de atmosfera", descreveu Laura Kreidberg.
A ausência de atmosfera significa que não há proteção contra a radiação estelar ou partículas carregadas provenientes da estrela. Também impede qualquer possibilidade de existência de água líquida na superfície, elemento considerado fundamental para a vida como conhecemos. "Então, no geral, está quase certo que não é um mundo habitável", afirmou Sebastian Zieba de forma enfática.
Os pesquisadores também procuraram por gases relacionados ao vulcanismo, como o dióxido de enxofre, mas não encontraram nenhum vestígio. A possibilidade de uma superfície de rocha vulcânica relativamente recente foi considerada, mas as evidências apontam para um cenário diferente.
Superfície de basalto e a história geológica de Kua'akua
As análises espectroscópicas realizadas pelo James Webb indicaram que a superfície de Kua'akua é provavelmente coberta por regolito escurecido — material rochoso solto e fragmentado que cobre a rocha sólida, formado por eras de bombardeio contínuo de radiação estelar e impactos de micrometeoritos. Esse regolito é semelhante ao encontrado na superfície de Mercúrio e da Lua.
"Rochas diferentes têm assinaturas espectrais diferentes, assim como as atmosferas. Rochas vulcânicas escuras como o basalto corresponderam muito melhor às nossas observações do que rochas mais claras e ricas em sílica, como o granito", explicou Zieba. As superfícies de Mercúrio e da Lua são precisamente dominadas por rochas basálticas escuras.
A pesquisa também trouxe uma reflexão interessante sobre a geologia comparada dos planetas rochosos. "Na Terra, a formação generalizada de granito está ligada à água e às placas tectônicas", comentou Zieba, referindo-se ao processo geológico terrestre que envolve o movimento das placas que compõem a superfície do nosso planeta. "Então, se você identificasse de forma robusta superfícies semelhantes ao granito em um exoplaneta, isso não significaria [automaticamente] vida, mas sugeriria uma história geológica muito mais parecida com a da Terra em comparação com outras superfícies."
A estrela que Kua'akua orbita é de um tipo comum na galáxia chamado anã vermelha. Sua massa equivale a apenas cerca de 15% da massa do Sol, e sua luminosidade é de meros 0,3% da luminosidade solar. Apesar de menor e menos luminosa que nossa estrela, a proximidade extrema do planeta com a anã vermelha torna as condições em sua superfície extremamente hostis.
Contrapontos, riscos e limites
Apesar do entusiasmo gerado pela descoberta, é fundamental reconhecer os limites do que essa observação representa. O feito técnico é inegável — obter o espectro de reflexão da superfície de um exoplaneta é uma conquista extraordinária —, mas o planeta em si não oferece perspectivas de habitabilidade. Trata-se, nas palavras dos próprios pesquisadores, de "uma rocha nua vagando pelo espaço por bilhões de anos".
Existe também o risco de superinterpretação dos dados. A identificação de basalto na superfície, embora sugestiva de um mundo semelhante a Mercúrio, ainda depende de modelos teóricos que podem ser refinados com observações futuras. A comunidade científica alertou para a necessidade de cautela ao associar composições minerais a histórias geológicas específicas, especialmente quando se trata de mundos tão distantes e diferentes do nosso.
O futuro da astronomia com novos telescópios espaciais
Enquanto o James Webb continua a revelar os segredos dos exoplanetas, outro telescópio espacial aguarda seu lançamento com expectativa na comunidade científica. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, também da NASA, tem lançamento previsto para setembro de 2026 e promete ampliar ainda mais as fronteiras da astronomia observacional.
O Roman Space Telescopewillwill combinar um campo de visão amplo com capacidades de imagem infravermelha avançadas, permitindo que cientistas estudem vastas áreas do universo com precisão sem precedentes. Até o final de sua missão primária de cinco anos, estima-se que o telescópio acumule cerca de 20 mil terabytes de dados científicos, utilizados para investigar aproximadamente 100 mil exoplanetas, centenas de milhões de galáxias e bilhões de estrelas.
O projeto é gerenciado pelo Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e conta com contribuições do Laboratório de Propulsão a Jato, do Caltech/IPAC na Califórnia, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial em Baltimore e de cientistas de diversas instituições de pesquisa ao redor do mundo. O lançamento será realizado a bordo de um foguete SpaceX Falcon Heavy, a partir do Complexo de Lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Durante uma conferência de imprensa realizada no Centro de Voo Espacial Goddard, representantes da NASA destacaram que o desenvolvimento acelerado do telescópio Roman exemplifica os resultados possíveis quando há colaboração eficaz entre investimento público, expertise institucional e iniciativa privada. A parceria foi apontada como fundamental para viabilizar missões de alta complexidade com potencial de gerar descobertas transformadoras para a humanidade.
Fontes consultadas
- Folha de S.Paulo — James Webb: exoplaneta pode ter semelhança com Mercúrio (12/05/2026)
- Reuters — Astronomers get the best look yet at the surface of an exoplanet (08/05/2026)
- Nature Astronomy — Estudo original sobre LHS 3844 b (04/05/2026)
- O Cafezinho — Telescópio espacial Roman da NASA promete ampliar fronteiras da astronomia (19/05/2026)
- Science Daily — Roman Space Telescope mission details (18/05/2026)
Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação e de forma automatizada. As análises e opiniões expressas não constituem aconselhamento jurídico.
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