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Brasil falha em não formar alunos para o mercado de trabalho, diz presidente do Insper

Em evento de inovação em São Paulo, o presidente do Insper Guilherme Martins criticou a desconexão entre a formação acadêmica e as exigências do mercado de trabalho no Brasil, alertando que empresas passaram a formar seus próprios profissionais.

May 18, 2026 - 16:00
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Brasil falha em não formar alunos para o mercado de trabalho, diz presidente do Insper
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O diagnóstico de uma falha sistêmica

Durante sua participação no São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação realizado em maio de 2026, o presidente do Insper Guilherme Martins ofereceu um diagnóstico incômodo sobre a educação brasileira: o país falha em preparar seus estudantes para o mercado de trabalho. A afirmação foi feita em um painel que discutia se o Brasil está formando as pessoas certas para a era da inteligência artificial ou formando bem para um mundo que não existe mais. O cenário traçado por Martins revela uma distância significativa entre o que as universidades oferecem e o que o mercado exige.

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O executivo apontou que as instituições de ensino seguem orientadas por propósitos que não correspondem à formação profissional. Nas universidades públicas, há uma tendência ao ensimesmamento acadêmico. Nas particulares, o objetivo central gira em torno da mensalidade. Nenhum dos dois modelos, segundo Martins, prepara adequadamente os alunos para as realidades profissionais que enfrentarão após a graduação. O conteúdo básico, segundo ele, já se tornou commodity — e o verdadeiro diferencial está na capacidade de resolver problemas concretos da sociedade e das empresas.

A lacuna entre a academia e o mercado

O presidente do Insper descreveu um gap crescente entre a lógica acadêmica e a lógica do mercado. Enquanto as universidades continuam operando com um modelo que prioriza a transmissão de conhecimento teórico, as empresas demandam profissionais capazes de aplicar esse conhecimento em situações reais e de resolver problemas complexos de forma integrada. Essa dissonância gera consequências diretas para ambos os lados: estudantes que se formam sem habilidades práticas e empresas que não conseguem encontrar talentos prontos no mercado.

Martins observou que muitas empresas passaram a internalizar o treinamento de seus funcionários justamente porque não conseguem contratar profissionais já formados com as competências necessárias. Esse fenômeno representa um sintoma claro de que o sistema educacional não está respondendo às demandas do setor produtivo. O resultado, segundo ele, é um custo adicional para as empresas e uma frustração para os jovens que ingressam no mercado de trabalho sem a preparação esperada.

Empresas assumem o papel da universidade

Uma das consequências mais visíveis dessa falha educacional é a mudança no comportamento de contratação das empresas. Martins informou que muitas grandes corporações criaram graduações próprias para formar profissionais alinhados com suas necessidades específicas. O exemplo citado foi o de XP e BTG Pactual, que desenvolveram programas de formação interna. Esse movimento representa uma transferência de responsabilidade educacional que antes ficava exclusivamente com as instituições de ensino superior.

Além disso, as empresas passaram a priorizar a contratação de estudantes ainda no primeiro ano da universidade para estágios, formando-os internamente desde o início da carreira. Essa estratégia permite que as organizações moldem os profissionais de acordo com sua cultura organizacional e suas demandas técnicas, compensando a lacuna deixada pela formação acadêmica tradicional. Para Martins, essa realidade é um dos principais sintomas de uma falha sistêmica no sistema educacional brasileiro.

O impacto da transformação digital e da IA

O debate ganha urgência adicional quando inserido no contexto da transformação digital e da inteligência artificial. A rápida evolução tecnológica está redefinindo as competências exigidas no mercado de trabalho, e as universidades enfrentam dificuldades para acompanhar esse ritmo de mudança. O conceito de conteúdo básico como commodity ganha ainda mais relevância nesse cenário: habilidades técnicas específicas se tornam obsoletas mais rapidamente, enquanto a capacidade de resolver problemas, pensar criticamente e adaptar-se a novas situações se torna o verdadeiro diferencial competitivo.

Martins defende que a formação deve ser orientada para a resolução de desafios reais, não para a memorização de conteúdos estáticos. A capacidade de aplicar conhecimento em contextos práticos, de colaborar em equipes multidisciplinares e de adaptar-se a cenários em constante mudança torna-se mais valiosa do que o domínio de ferramentas específicas que podem ser substituídas por tecnologia. Essa perspectiva reforça a necessidade de reinventar a educação brasileira para preparar profissionais para um mercado em transformação contínua.

Desigualdade regional e desafios de infraestrutura

A questão educacional brasileira não se limita à qualidade da formação, mas também à desigualdade de acesso e infraestrutura. Dados recentes compilados pelo MEC mostram que apenas 72% das escolas brasileiras possuem conectividade adequada, com disparidades regionais significativas. Estados do Norte, como Amazonas, Acre, Roraima e Amapá, apresentam índices de adequação entre 30% e 58%. Já São Paulo, frequentemente visto como referência em educação, apresenta o sexto pior resultado do país, com apenas 64% das escolas com conectividade adequada. Enquanto isso, Paraná e Piauí lideram o ranking com 86% e 84%, respectivamente.

Essa disparidade regional tem consequências diretas na preparação dos estudantes para o mercado de trabalho. Alunos de regiões com menor infraestrutura digital têm menos acesso a ferramentas e recursos que poderiam ajudá-los a desenvolver competências digitais demandadas pelas empresas. A universalização da conectividade, prometida pelo governo federal por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), ainda enfrenta obstáculos na implementação, com R$ 1,97 bilhão parados nos caixas dos estados por dificuldades de execução.

Recursos parados e desafios de execução

Dos R$ 4,1 bilhões disponíveis para conexão de escolas, quase metade permanece sem utilização. A lei, aprovada em 2021 como medida emergencial durante a pandemia, previa R$ 3,5 bilhões para ações de conexão. O dinheiro só chegou efetivamente em 2022, após o governo anterior ter entrado na Justiça para evitar o pagamento. Com rendimentos do dinheiro parado, o total subiu para R$ 4,1 bilhões, mas a execução segue abaixo do esperado. Metade desse valor está concentrada em quatro estados: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e Maranhão.

A falta de execução não se deve apenas a entraves burocráticos, mas também a divergências sobre como aplicar os recursos. Alguns estados priorizam a compra de equipamentos, como chromebooks, enquanto outros focam na infraestrutura de rede. Há também disputas sobre como medir a adequação da conectividade, com alguns estados contestando o indicador federal. Minas Gerais, por exemplo, afirma que apenas R$ 4,3 milhões restam dos recursos federally provided e que 97% das escolas estão conectadas segundo o Censo Escolar, que não considera todos os critérios do indicador federal.

Contrapontos e limites da análise

Embora o diagnóstico do presidente do Insper seja amplamente compartilhado por especialistas, há nuances que merecem consideração. Nem todas as universidades podem ser enquadradas no mesmo perfil crítico apontado por Martins. Instituições de referência investem constantemente em atualização curricular, parcerias com empresas e programas de formação prática. Além disso, o próprio mercado de trabalho não é monolítico: diferentes setores têm demandas distintas e a formação acadêmica atende melhor a alguns do que a outros.

Outra perspectiva levantada por especialistas é que as universidades têm propósitos que vão além da formação profissional técnica. A formação crítica, a pesquisa científica e o desenvolvimento do pensamento reflexivo são objetivos legítimos da educação superior que não se resumem à preparação para uma vaga específica no mercado. Reduzir a avaliação do sistema educacional exclusivamente à sua adequação às demandas corporativas pode ignorar o valor social e cultural da educação universitária como espaço de formação integral do cidadão.

Caminhos possíveis e síntese

O cenário desenhado por Martins não é simples, mas algumas direções emergem como prioritárias. A aproximação entre universidades e empresas precisa ir além de estágios e parcerias pontuais: envolve revisão curricular com participação do setor produtivo, criação de programas de formação docente que valorizem a experiência prática e investimentos em infraestrutura digital que eliminem as desigualdades regionais. A participação de empresas na criação de graduações próprias, como feito por XP e BTG, pode ser um caminho, mas não resolve sozinho a questão da formação de milhões de brasileiros.

O desafio é criar um ecossistema onde a educação superior consiga equilibrar seu papel social e cultural com a preparação profissional que o mercado demanda. A transformação digital não é apenas uma questão de tecnologia, mas de como as instituições formam profissionais para um mundo em que as competências se redefinem continuamente. O diagnóstico do Insper alerta para um problema real, mas a solução exige ação coordenada entre governos, universidades e empresas — e os resultados só aparecerão a médio e longo prazo.

Brasil falha em não formar alunos para o mercado de trabalho, diz presidente do Insper
Imagem gerada por inteligência artificial — MiniMax AI

Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação e de forma automatizada. As análises e opiniões expressas não constituem aconselhamento jurídico.

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