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Desmatamento na Amazonia em 2025: a menor taxa em 11 anos e os desafios da politica ambiental

Dados do PRODES confirmam queda de 11% no desmatamento da Amazonia em 2025, mas especialistas alertam que os numeros absolutos ainda sao elevados e que novas legislacoes podem reverter a tendencia.

May 07, 2026 - 23:10
updated: 2 Dias ago
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Desmatamento na Amazonia em 2025: a menor taxa em 11 anos e os desafios da politica ambiental
Foto: Unsplash
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A reducao que o governo celebra

Em fevereiro de 2026, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divuldou os dados oficiais do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Floresta Amazonica Brasileira por Satelite (PRODES), revelando que o desmatamento no bioma Amazonia fechou 2025 com 5.796 quilometros quadrados devastados. O numero representa uma queda de 11,08% em relacao ao ano anterior e configura a menor taxa registrada nos ultimos onze anos. Trata-se do quarto ano consecutivo de reducao.

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Os dados foram apresentados pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em evento oficial. A reducao acumulada desde 2022, quando o desmatamento atingiu o nivel mais elevado do governo Bolsonaro, chega a 42% quando se considera nao apenas o desmatamento detectado pelo PRODES, mas tambem a degradacao florestal monitorada por outros sistemas do Inpe.

A queda registrada em 2025 ocorre em um contexto de intensificadas medidas de controle e de maior pressao internacional sobre o Brasil para que cumpra seus compromissos ambientais. A realizacao da COP 30 em Belém, originalmente prevista para 2025 e adiada para 2026, tambem trouxe holofotes para a agenda amazonica.

Os sistemas de monitoramento e sua importancia

O PRODES e um sistema operacional desde 1988 e utiliza imagens de satelite Landsat para calcular a area desmatada na Amazonia Legal a cada ano. O periodo de medicao compreende agosto de um ano a julho do ano seguinte, coincidindo com a estacao seca na regiao.

A independencia tecnica do Inpe tem sido fundamental para a credibilidade dos dados. O instituto jamais sofreu episodios de interferencia politica, como a demissao do diretor do Inpe em 2019 apos divergencias com o governo sobre a divulgacao de dados de desmatamento.

Os alertas sobre Areas Protegidas e Terras Indigenas

Apesar da reducao geral, especialistas advertem que algumas areas continuam sob pressao significativa. O sul do Amazonas, regiao que inclui municipios como Apui, Humaita e Labrea, concentra parte do desmatamento ativo. Terras Indigenas e Unidades de Conservacao tambem registraram alertas.

A organizacao Mapa da Observacao da Amazonia, que agrega dados de diferentes sistemas de monitoramento, tem publicado analises indicando que a reducao do desmatamento e real, mas que os numeros absolutos ainda sao elevados quando comparados aos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris.

Os riscos da nova lei de licenciamento ambiental

Em janeiro de 2026, entrou em vigor uma nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental que gerou preocupacao entre especialistas e organizacoes ambientais. A legislacao estabelece a dispensa de licenciamento para atividades como pecuaria extensiva, pecuaria semi-intensiva, cultivo agricola e pesquisas agropastoris em determinadas escalas.

No Amazonas, estado que concentra 100 Unidades de Conservacao, a nova regra pode ter efeitos particularmente severos. Ha mais de 11 mil registros de CAR em areas protegidas, muitos dos quais ainda em processo de homologacao.

Posicoes divergentes sobre a legislacao

O ICMBio emitiu nota tecnica alertando que a flexibilizacao do licenciamento representa um grave retrocesso na legislacao ambiental e pode comprometer a capacidade de monitoramento e fiscalizacao do Estado.

Por outro lado, setores do agronegocio e representantes de estados da Regiao Norte argumentam que o licenciamento ambiental atual e burocratico, demorado e ineficiente, impondo custos elevados a produtores rurais que buscam regularizar suas atividades.

Organizacoes ambientais entraram com acao direta no Supremo Tribunal Federal pedindo a suspensao da lei e apontando inconstitucionalidade em 45 artigos. O STF ainda nao apreciou o pedido de suspensao.

Cenarios e perspectivas

O futuro da floresta Amazonica dependera da interacao entre forcas economicas, decisoes politicas e capacidade de fiscalizacao do Estado. A expansao do agronegocio, a pressao por terras na regiao e a demanda internacional por commodities agricolas sao fatores que tendem a manter o estimulo ao desmatamento.

A questao fundiaria permanece como um dos maiores desafios. A regularizacao de terras publicas, a demarcacao de terras indigenas e a consolidacao de Unidades de Conservacao sao medidas que precisam avancar para que o ciclo de ocupacao irregular e desmatamento possa ser interrompido de forma permanente.

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