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Viagem e Gastronomia: Como a Culinária Transformou a Forma de Viajar no Brasil e no Mundo

A intersecção entre turismo e gastronomia redefine destinos, molda o comportamento de viajantes e posiciona o Brasil no centro da alta gastronomia mundial em 2026.

May 13, 2026 - 06:01
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Viagem e Gastronomia: Como a Culinária Transformou a Forma de Viajar no Brasil e no Mundo
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A Revolução que Nasce no Prato

Existe um ditado antigo que diz: para conhecer um povo, é preciso sentar à sua mesa. Em 2026, esse princípio antigos se transformou em fenômeno global. A gastronomia deixou de ser um complemento da viagem para se tornar, em muitos casos, o próprio motivo de ir. Os números confirmam a magnitude dessa mudança. O mercado de turismo gastronômico foi avaliado em mais de 1 trilhão de dólares globalmente e continua em trajetória de crescimento acelerado. No Brasil, o cenário é particularmente vibrante. O país registrou quase 9,3 milhões de visitantes internacionais em 2025, e a projeção para 2026 varia entre 8,4 milhões e 9,84 milhões, dependendo da fonte consultada. Em ambos os cenários, o que se destaca é o perfil desses viajantes: mais da metade busca experiências autênticas vinculadas à culinária local.

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A publicação internacional Condé Nast Traveler, referência global em turismo, incluiu Minas Gerais entre os dez melhores destinos gastronômicos do mundo em 2026, ao lado de Boston, Creta, Hong Kong e Sevilha. O estado brasileiro foi reconhecido pela cultura baseada em tradições rurais, produção artesanal de queijo com mais de 300 anos de história e pela expansão da alta gastronomia em Belo Horizonte. É a primeira vez que um destino brasileiro integra uma lista desse porte na categoria. Trata-se de um reconhecimento que reflete uma transformação profunda em como o Brasil se posiciona no mapa turístico mundial.

O Brasil que Conquistou Três Estrelas

O Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026, anunciado em abril no Copacabana Palace, marcou um ponto de inflexão na história da gastronomia brasileira. Pela primeira vez na história da América Latina, dois restaurantes conquistaram três estrelas Michelin, o mais alto grau de excelência da prestigiada guia. O Evvai, comandado pelo chef Luiz Filipe Souza, e o Tuju, do chef Ivan Ralston, alcançaram um patamar que coloca o Brasil no mesmo nível de países com tradição centenária na alta gastronomia, como França, Itália e Japão.

O significado dessa conquista vai além do prestígio individual. Trinta estrelas distribuídas pelo guia confirmam a consistência e a maturidade da cena gastronômica nacional. D.O.M., de Alex Atala, Oro, de Felipe Bronze, e Lasai, de Rafa Costa e Silva, mantêm suas duas estrelas e reforçam o nível alto da cozinha brasileira. A entrada do Madame Olympe, sob o comando do chef Claude Troisgros, com sua primeira estrela, sinaliza a chegada de uma nova geração que dialoga de forma autoral entre tradição e contemporaneidade. Pela primeira vez, a coquetelaria também foi reconhecida com um prêmio específico, mostrando que a experiência gastronômica no Brasil se desdobra em múltiplas frentes criativas.

O impacto econômico dessa movimentação é direto. Restaurantes com estrelas Michelin se tornam destinos em si mesmos, atraindo viajantes dispostos a planejar uma viagem inteira em torno de uma reserva. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a procura por mesas nos restaurantes premiados já movimenta o setor hoteleiro, bares parceiros e até companhias aéreas. Trata-se de um efeito multiplicador que posiciona a gastronomia como vetor de desenvolvimento turístico de alto impacto.

O Paladar como Bússola: Tendências Globais que Moldam a Viagem em 2026

Os inspetores do Guia Michelin, distribuídos por dezenas de países, identificaram um conjunto de tendências que definem a experiência gastronômica global neste ano. Uma delas é o retorno ao fogo. Mais do que uma técnica, cozinhar sobre chamas, brasas e pedras vulcânicas se tornou uma linguagem universal. Na Argentina, parrillas como o Don Julio em Buenos Aires alcançaram reconhecimento internacional ao levar o churrasco a um nível refined, enquanto na Suécia o Knystaforsen explora o cozimento lento sobre fogo em ambientes naturais. A simplicidade aparente esconde precisão técnica: a chama revela sabores sem intermediários, e a teatralidade do processo se tornou parte da experiência.

Outra tendência forte é o uso do tempo como ingrediente. Fermentações prolongadas, maturação de peixes e vegetables lacto-fermentados exigem paciência e planejamento que passam a fazer parte do cardápio. No Québec, chefs adaptam técnicas às longas invernos locais para conservar ingredientes; em Bangkok, o Baan Tepa prepara fermentações internas durante semanas que atravessam todo o cardápio. Trata-se de uma reação ao tempo rápido: a profundidade de sabor só surge quando se respeita o ritmo natural dos ingredientes. O umami e o amargor também ocupam lugar central nos pratos, com endívias, radicchio e algas aparecendo como estrelas em vez de coadjuvantes.

A gastronomia francesa clássica também experimenta um renascimento global. Pratos como blanquette,'oeufs mayonnaise e île flottante migram para mesas ao redor do mundo, sendo revisitados com técnica contemporânea e propostas mais leves. Bistrôs francesaganham espaço em Hong Kong e Kuala Lumpur, adaptados ao gosto local mas mantendo a essência da tradição. Esse movimento de retorno às raízes contrasta com outra tendência: a diversificação geográfica dos polos gastronômicos. Bangkok emerge como novo hub de alta gastronomia, atraindo chefs de diversas nacionalidades que veem na cidade tailandesa um terreno fértil para inovação. A China investe pesado em restaurantes de alto nível, e o Japão segue como polo de formação para chefs de todo o mundo.

Viagens que Começam na Cozinha

No Brasil, a relação entre viagem e gastronomia assume contornos próprios. A pesquisa Previsões de Viagem 2026, realizada pela Booking.com com 29 mil pessoas em 33 países, revela que 75% dos brasileiros considerariam comprar utensílios de cozinha ou produtos gastronômicos como lembrança de viagem. Mais do que isso: 64% viajariam especificamente para comprar esses produtos, e 33% dizem que cozinhar com o item comprado reacende memórias da experiência. A viagem começa no destino, mas se estende ao cotidiano de quem volta para casa.

O turismo gastronômico no Brasil encontra terreno fértil na diversidade regional. Salvador pelo acarajé, Belém pelo tacacá na tigela, Florianópolis pelas ostras fresquinhas, Minas Gerais pelo queijo artesanal e pelo pão de queijo, São Paulo pelo refinamento de sua alta gastronomia. Maceió e João Pessoa foram destacadas pelo Airbnb como destaques pela culinária regional. O enoturismo cresce na Serra Gaúcha e em Espírito Santo do Pinhal, que se consolidou como refúgio para amantes do vinho e do café. A Serra da Canastra, em Minas Gerais, atrai visitantes para conhecer queijarias artesanais que preservam técnicas centenárias de produção.

O turismo de experiências culinárias também se expande para além dos restaurantes. Cresce o interesse por oficinas de preparo culinário, nas quais o turista aprende técnicas e receitas regionais. Visits a mercados locais e até lojas de conveniência fazem parte da experiência para viajantes que buscam ir além do óbvio turístico. O forrageamento guiado, prática de coletar ingredientes da natureza para uso nas refeições, atrai 74% dos brasileiros interessados na atividade. Trata-se de uma imersão que vai além do paladar e envolve história, ecologia e cultura local.

Os Limites e Contrapontos de uma Felicidade Gastronômica

A euforia com o turismo gastronômico exige ressalvas. A elevação de preços em destinos que se tornam populares é uma consequência imediata. Cidades que ganham destaque em rankings internacionais enfrentam pressão imobiliária, elevação de custos de vida para moradores locais e, em alguns casos, uma adaptação da oferta gastronômica voltada ao turismo em detrimento da autenticidade. O risco de gentrificação culinária é real: à medida que um destino ganha visibilidade, restaurantes tradicionais fecham para dar lugar a establishments voltados ao público de fora.

A própria indústria de turismo gastronômico enfrenta desafios logísticos. A sazonalidade dos ingredientes, as mudanças climáticas que afetam safras e a escassez de mão de obra qualificada em cozinhas ao redor do mundo são obstáculos que nenhum ranking consegue apagar. No Brasil, a distância entre os grandes centros e os destinos gastronômicos emergentes ainda limita o fluxo turístico para essas regiões. A infraestrutura de transporte interno, embora em expansão, não acompanha a velocidade com que a demanda cresce.

Há também uma tensão entre a busca por autenticidade e a transformação que o sucesso provoca. Quando um prato típico deixa de ser preparado da forma tradicional para atender expectativas de viajantes, something se perde no caminho. Muitos destinos enfrentam esse dilema: como preservar a identidade culinária diante da pressão comercial? A resposta não é simples, mas passa por políticas públicas de valorização da produção local, programas de certificação e apoio a pequenos produtores que mantêm tradições vivas.

Uma Viagem que Ainda Não Terminou

O cruzamento entre viagem e gastronomia representa mais do que uma tendência passageira. Trata-se de uma transformação cultural profunda, na qual a comida deixa de ser acesso rio para ser caminho principal. O Brasil ocupa agora um lugar de destaque nesse cenário, impulsionado pela conquista de estrelas Michelin, pela inclusão de Minas Gerais em rankings internacionais e pela diversificação de sua oferta gastronômica regional.

Os desafios permanecem. A distribuição mais equitativa dos benefícios econômicos entre grandes centros e destinos emergentes, a preservação da autenticidade diante do sucesso, o impacto ambiental da crescente mobilidade turística e a formação de mão de obra qualificada são questões que o setor terá de enfrentar nos próximos anos. A sustentabilidade deixou de ser diferencial para se tornar exigência: 27% dos consumidores globais consideram atributos ambientais essenciais na decisão de viagem, segundo dados da GlobalData.

O que se perspectiva para o futuro próximo é um viajante mais consciente, que escolhe destinos com base em experiências significativas e não apenas em paisagens. Um viajante que volta para casa carregando um queijo artesanal na mala e uma memória na cabeça. A mesa está posta. Resta saber como o Brasil e o mundo vão ocupar esse espaço nos próximos anos.

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Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação. O conteúdo foi revisado e validado antes da publicação. As análises e opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não constituem aconselhamento jurídico.

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