AB2L Lawtech Experience 2026: o maior congresso de inovação jurídica do mundo chega ao Rio de Janeiro
Nos dias 13 e 14 de maio de 2026, o Pier Mauá no Rio de Janeiro recebe a AB2L Lawtech Experience 2026, reunindo líderes de escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e lawtechs para discutir o impacto da inteligência artificial generativa na advocacia e as tendências que redesenham o mercado jurídico.
O maior evento de inovação jurídica do mundo
A AB2L Lawtech Experience 2026 ocorre nos dias 13 e 14 de maio de 2026 no Pier Mauá, no Rio de Janeiro — e se consolidou como o maior congresso de inteligência artificial e inovação jurídica do planeta. O evento, organizado pela Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), reúne líderes de escritórios de advocacia, departamentos jurídicos de grandes empresas, investidores e fornecedores de tecnologia para o mercado jurídico.
A edição de 2026 tem como tema central a inteligência artificial generativa e seus efeitos práticos sobre a prestação de serviços jurídicos. Não se trata de debate teórico: o evento é conhecido por incluir demonstrações ao vivo de ferramentas, painéis com dados de produtividade e discussões sobre modelos de negócio que estão sendo redesenhados pela automação.
A AB2L foi fundada em 2015 e desde então cresceu como principal hub de conexão entre o ecossistema de inovação jurídica e os profissionais tradicionais do Direito. Com mais de 200 associados entre lawtechs, legaltechs, escritórios e departamentos jurídicos, a associação se tornou a principal referência para quem quer entender como tecnologia e Direito estão convergindo no Brasil.
O que são lawtechs e legaltechs
Lawtechs são empresas que desenvolvem soluções tecnológicas para profissionais do Direito — como automação de contratos, jurimetria, gestão de processos e pesquisa jurisprudencial automatizada. Legaltechs, por sua vez, focam em soluções para o mercado consumer, como plataformas de negociação de dívidas, serviços de arbitragem online e ferramentas de compliance para pequenas empresas.
A diferença conceitual entre os dois termos tem se esmaecido na prática. Muitas empresas do ecossistema combinam elementos de ambas as categorias — oferecendo tanto ferramentas profissionais quanto serviços ao consumidor final. O que unites todas essas empresas é o uso de tecnologia para tornar o acesso à Justiça mais eficiente, mais barato ou mais acessível.
Inteligência artificial generativa: ameaça ou alavanca estratégica?
O debate central da AB2L 2026 gira em torno de uma pergunta que tem ocupado a comunidade jurídica mundialmente: a inteligência artificial generativa representa uma ameaça à advocacia tradicional ou uma alavanca estratégica para quem souber usá-la? A resposta, segundo organizadores e participantes do evento, não é simples — e depende muito do segmento de atuação.
Na avaliação de Rafael Dias, CEO da Acordo Fechado — empresa que desenvolveu o Jarvis, assistente de IA que negocia acordos via WhatsApp —, a IA generativa não substitui o advogado, mas permite multiplicar o trabalho do melhor profissional. "Com o Jarvis no WhatsApp, conseguimos pegar o conhecimento do melhor advogado e replicar isso para milhares de casos, sem perda de qualidade e com atendimento imediato", afirmou Dias em edições anteriores do evento.
A ferramenta desenvolvida pela Acordo Fechado, investida pela Preâmbulo Tech, já é utilizada por departamentos jurídicos de grandes corporações e, segundo a empresa, consegue aumentar em até dez vezes a capacidade produtiva de um escritório. O modelo de atendimento 24 horas por dia, personalizado para cada escritório, ilustra como a IA pode funcionar como multiplicador — e não como substituto — da inteligência humana.
A transformação dos departamentos jurídicos empresariais
Entre os participantes do AB2L Lawtech Experience, destaque para os departamentos jurídicos corporativos, que têm adoptado tecnologias de legal ops — operações jurídicas — para reduzir custos e aumentar eficiência. A Light, empresa de energia elétrica, enviou ao evento dois representantes: Aline Aguiar, gerente jurídica, e Francisco, líder de Legal Ops — que destacaram o papel das conexões no processo de inovação.
A adoção de legal ops nas empresas está mudando a forma como os departamentos jurídicos se posicionam internamente. Em vez de centros de custo que apenas reagem a demandas, departamentos jurídicos estão se tornando parceiros estratégicos de negócio, usando dados para antecipar riscos e usando tecnologia para escalar sem aumentar equipe.
O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. Pesquisas internacionais mostram que departamentos jurídicos de grandes empresas globally estão entre os principais buyers de soluções de IA jurídica. A pressão por redução de custos externos — especialmente honorários de escritórios externos — é um driver importante dessa adoção.
Desafios regulatórios e éticos
A rápida adoção de IA no mercado jurídico plantea desafios regulatórios e éticos que ainda não foram integralmente enfrentados. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem se posicionado sobre o uso responsável de IA na advocacia, mas ainda não editou norma específica que discipline o tema. Enquanto isso, escritórios e departamentos jurídicos operam em um ambiente de incerteza regulatória.
Entre as questões em aberto estão: responsabilidade civil por erros de ferramentas de IA, confidencialidade de dados de clientes quando processados por sistemas de IA, uso de IA na elaboração de peças processuais e conformidade com o Estatuto da OAB, que exige exercício exclusivo da advocacia por profissionais registrados.
A falta de regulamentação específica não significa ausência de regras. O Código de Ética da OAB, a LGPD e o Marco Civil da Internet estabelecem marcos que se aplicam ao uso de tecnologia na advocacia. A diferença é que a aplicação desses marcos antigos a tecnologias novas gera interpretações divergentes — o que mantém o ambiente de incerteza.
O mercado de investimentos em legaltechs
O ecossistema de legaltechs no Brasil tem chamado atenção de investidores. A Preâmbulo Tech, holding que controla a Acordo Fechado, é um exemplo de empresa que conseguiu escalar com investimento estratégico. A AB2L também funciona como termômetro do mercado: o evento é espaço de conexão entre startups e potenciais investidores, além de ser ambiente de negócios entre departamentos jurídicos e fornecedores de tecnologia.
Nos últimos anos, o volume de investimentos em legaltechs globally cresceu de forma consistente. Nos Estados Unidos, empresas como Harvey AI, EvenUp e Lexion levantaram rounds significativos. No Brasil, embora o mercado seja menor, há sinais de maturação — com empresas que já alcançaram revenue recorrente e base de clientes consolidada.
Contrapontos: quem perde com a transformação tecnológica
A introdução de IA na advocacia levanta questões sobre distribuição de renda profissional. Advogados juniores, que historicamente aprendem o ofício fazendo pesquisa e elaborando minutas básicas, podem ver suas oportunidades de formação profissional reduzidas se tarefas rutinárias forem automatizadas. O risco é que a profissão se polarize entre poucos profissionais seniores que orientam a IA e uma base ampliada de generalistas sem acesso à formação prática tradicional.
Há também a questão do acesso à tecnologia. Escritórios menores e advogados individuais, que não têm recursos para investir em ferramentas de IA, podem ficar em desvantagem competitiva frente a grandes escritórios que conseguem arcar com essas despesas. A democratização do acesso à tecnologia jurídica é, portanto, um tema também de equidade profissional.
Outro risco frequentemente citado é a dependência excessiva de fornecedores de tecnologia. Quando um escritório adota uma ferramenta de IA, cria-se uma dependência do fornecedor para operações críticas. Se o fornecedor quebrar, mudar de foco ou aumentar preços, o escritório pode enfrentar transição custosa. A gestão de risco de fornecedores é uma competência que departamentos jurídicos estão começando a desenvolver.
Cenários e síntese
A AB2L Lawtech Experience 2026 ocurre em um momento de inflexão para o mercado jurídico brasileiro. A inteligência artificial generativa não é mais tendência do futuro — está presente em escritórios, tribunais e departamentos jurídicos neste momento. O evento funciona como termômetro de onde está o setor e para onde está indo.
O cenário mais provável nos próximos anos é a continuidade da adoção, com aceleração em áreas de alta repetitividade — como demandas de massa, contratos padronizados e pesquisa jurisprudencial. Áreas que exigem criatividade estratégica, negociação complexa e julgamento humano devem manter maior proteção contra a automação completa.
O grande unknown é a regulamentação. Se a OAB e os reguladores conseguirem estabelecer marcos claros rapidamente, o Brasil pode se tornar referência internacional em IA jurídica responsável. Se a regulamentação ficar para trás, o mercado operará em incerteza — o que pode inibir investimento ou gerar usos problemáticos da tecnologia sem supervisão adequada.
Nota editorial: Este conteúdo foi produzido e revisado com apoio de inteligência artificial, a partir de pesquisa em fontes públicas e critérios editoriais do andrebadini.com. Embora o texto busque precisão e contextualização, ele tem finalidade informativa e não substitui análise profissional individualizada.
Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação. O conteúdo foi revisado e validado antes da publicação. As análises e opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não constituem aconselhamento jurídico.
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