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Inteligência artificial nas empresas brasileiras: entre a promessa estratégica e a realidade da transição

Pesquisa da Fundação Dom Cabral em parceria com a Meta revela que empresas brasileiras avançam no discurso sobre IA, mas enfrentam desafios concretos de investimento, governança e maturidade para transformar tecnologia em vantagem competitiva.

May 13, 2026 - 11:32
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Inteligência artificial nas empresas brasileiras: entre a promessa estratégica e a realidade da transição
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O hiato entre intenção e execução na adoção de IA

As empresas brasileiras avançaram na compreensão conceitual da inteligência artificial, mas ainda enfrentam desafios significativos para transformar tecnologia em inteligência aplicada aos seus negócios. Essa é a conclusão central de um estudo conduzido pela Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), que ouviu mais de 100 CEOs e executivos de empresas brasileiras e multinacionais distribuídas em 20 setores da economia. Os dados revelam um momento de transição marcado por entusiasmo estratégico, mas por execução fragmentada e investimentos abaixo do necessário.

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A pesquisa revelou que 82,5% dos executivos classificaram a IA como relevante para suas operações, sendo que 34,2% a consideram importante, 30% muito importante e 18,3% extremamente importante. Apenas 16,6% dos respondentes consideraram a IA pouco importante. Esse alto grau de reconhecimento contrasta, porém, com a capacidade real de implementação. A maioria das empresas consultadas (50,9%) possui um perfil seletivo, tratando a inovação de forma pontual e focada em retornos financeiros imediatos, sem una visão estratégica de longo prazo.

Os setores mais impactados pela digitalização, automação e uso intensivo de dados lideram a adoção: serviços financeiros (13,3%), indústria (12,5%) e tecnologia da informação (11,6%). Porém, mesmo nesses setores, a maturidade e os objetivos de uso da IA variam significativamente. Na indústria, o foco está na automação de processos e redução de custos, mas há limitações em relação às infraestruturas físicas. Na área de tecnologia, o setor mais avançado em diversidade de uso, há sofrimento com alta rotatividade e dificuldade de escalar competências internas.

Os números que revelam a distância entre discurso e prática

Dentre os dados mais expressivos do estudo, 43,3% das empresas destinam menos de 1% de seu orçamento total à inteligência artificial. Um percentual elevado, 68,3%, não possui um núcleo dedicado à governança de projetos de IA. Do total estudado, apenas 37,5% foram classificados como otimizadores, ou seja, organizações onde a inovação define os principais investimentos. Apenas 11,6% das empresas se classificaram como visionárias, entendendo os investimentos em inovação como determinantes para o futuro da organização.

Esses números revelam uma distância significativa entre o reconhecimento da importância da IA e a disposição efetiva de recursos para sua implementação. A maioria das empresas brasileiras está em um estágio de transição caracterizado mais pela experimentação pontual do que pela transformação sistemática de seus processos e modelos de negócio. Esse hiato entre intenção e execução é onde se concentram os principais gargalos e também as maiores oportunidades para a próxima etapa da transformação digital.

Os quatro principais obstáculos para a adoção efetiva de IA

De acordo com as lideranças que participaram do estudo, existem quatro obstáculos principais que explicam a distância entre o reconhecimento da importância da IA e sua implementação efetiva nas empresas brasileiras. A identificação desses obstáculos é fundamental para que organizações possam planejar estratégias de superação que vão além da superficialidade do discurso sobre transformação digital.

O primeiro obstáculo é a falta de conhecimento especializado, citada por 42,7% dos executivos como o maior entrave para avançar na adoção da IA. Esse dado reflete uma carência estrutural de profissionais qualificados no mercado brasileiro, onde a demanda por especialistas em inteligência artificial supera significativamente a oferta disponível. Desafios relacionados à integração com sistemas legados, custos de implementação e preocupações com segurança e conformidade também figuram entre as principais barreiras identificadas.

O segundo obstáculo é a maturidade organizacional limitada. Com 43,3% das empresas investindo menos de 1% do orçamento total em IA e uma parcela relevante sem estruturas dedicadas à gestão dessas iniciativas, a falta de institucionalização da inteligência artificial como prioridade estratégica é um problema que vai além da escassez de recursos. A presença de especialistas em IA na alta liderança ainda é restrita, o que dificulta a consolidação da tecnologia como eixo transversal às áreas de negócio.

Dados subutilizados e a ausência de cultura de análise avançada

O terceiro obstáculo identificado pelo estudo é a subutilização de dados. Embora 70% das empresas tratem a base tecnológica como prioridade e metade delas já tenha adotado arquiteturas como data lakes, apenas 10% utilizam essa infraestrutura como base para análise avançada e IA. Ou seja, a maioria das empresas coleta e armazena dados sem transformá-los em inteligência aplicável aos processos decisórios. Esse padrão limita severamente a capacidade de extrair valor real dos investimentos em tecnologia e perpetua um ciclo de desperdício de recursos.

O quarto obstáculo é a falta de letramento e capacitação. O capital humano especializado é um dos principais gargalos desse processo, já que a IA ainda não figura como prioridade nas agendas de capacitação e desenvolvimento de pessoas de 55,8% das empresas. Isso significa que a maioria das organizações brasileiras não está preparando seus colaboradores para utilizar ferramentas de inteligência artificial de forma eficiente, o que limita tanto a adoção interna quanto a capacidade de avaliar fornecedores e parceiros tecnológicos.

Impactos concretos da transição para a IA no ambiente empresarial

O estudo da FDC descobriu que 80% das organizações pesquisadas não realizam análises recorrentes de maturidade em IA, o que indica uma ausência de monitoramento sistemático do progresso nessa área. Além disso, 74% não possuem práticas estruturadas de gestão de riscos relacionados à implementação de IA, o que deixa as organizações vulneráveis a problemas que vão desde vieses algorítmicos até falhas de compliance. Também chama atenção que 23,2% das empresas não definiram métricas formais para avaliar resultados, impossibilitando a mensuração do retorno sobre os investimentos realizados.

Um dado particularmente expressivo é que 66,7% das empresas não utilizam técnicas avançadas de machine learning ou deep learning, indicando que a maioria consome ferramentas prontas de mercado sem desenvolver inteligência proprietária baseada em seus próprios dados. Essa situação coloca as empresas brasileiras em uma posição de dependência tecnológica em relação a fornecedores globais de soluções de IA, limitando sua capacidade de desenvolver vantagens competitivas diferenciadas a partir da tecnologia.

Essa dinâmica é particularmente relevante para empresas de médio porte. Segundo Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC e pós-doutor pela Sauder School of Business do Canadá, as empresas de grande porte conseguem gerar resultados com IA porque também têm desafios enormes em melhorias de processos e alocação de recursos em atividades rotineiras. Já para as empresas de médio porte, o caminho ainda é longo, em busca da maturidade digital, gestão de riscos cibernéticos e uma cultura real para a inovação tecnológica.

A transição que não aconteceu para a maioria das empresas

No momento de transição em que se encontram as empresas brasileiras, a inteligência artificial deixou de ser experimental, mas ainda não atingiu um nível de institucionalização compatível com sua relevância estratégica. O desafio central já não é acesso à tecnologia, mas capacidade de decisão, coordenação e execução em nível executivo. As empresas que conseguirem fazer essa transição de forma mais acelerada tenderão a estabelecer vantagens competitivas significativas em seus mercados de atuação.

A IA já aparece no discurso estratégico da maioria das organizações brasileiras, mas a lacuna entre benefícios registrados e investimentos realizados permanece significativa. A capacidade de transformar ambição estratégica em execução operacional será o factor determinante para o sucesso das empresas brasileiras na próxima fase da transformação digital. Para isso, será necessário superar os obstáculos estruturais de conhecimento, governança, dados e capacitação que currently limitam o potencial de criação de valor da IA nas empresas do país.

Perspectivas e cenários para a adoção de IA no Brasil

As perspectivas para a adoção de IA nas empresas brasileiras dependem fundamentalmente da capacidade do setor produtivo de superar os obstáculos estruturais identificados pela pesquisa. O momento de transição atual oferece tanto riscos quanto oportunidades: empresas que não conseguirem fazer a transição para usos mais sofisticados de IA podem enfrentar perda de competitividade, enquanto aquelas que conseguirem desenvolver maturidade suficiente podem estabelecer vantagens duradouras em seus mercados.

O papel das políticas públicas e das instituições de ensino será fundamental para expandir a oferta de profissionais qualificados e acelerar a curva de adoção em empresas de menor porte. Programas de capacitação, incentivos fiscais para investimentos em IA e mecanismos de apoio a pequenas e médias empresas podem contribuir para reduzir a distância entre líderes e retardatários na adoção de tecnologias de inteligência artificial.

A integração da IA ao modelo de negócio, não apenas como ferramenta de automação, mas como eixo estratégico de transformação, representa o próximo salto que as empresas brasileiras precisam dar. O estudo da FDC indica que esse salto exige visão de longo prazo, investimentos proporcionais aos desafios e uma revisão profunda dos processos de governança e gestão de dados que currently limitam o potencial transformador da tecnologia. O momento de fazer essa transição é agora, antes que a distância entre empresas brasileiras e seus competidores globais se torne insuperável.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido e revisado com apoio de inteligência artificial, a partir de pesquisa em fontes públicas e critérios editoriais do andrebadini.com. O texto tem finalidade informativa e não substitui consulta profissional, jurídica ou técnica específica.

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Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação. O conteúdo foi revisado e validado antes da publicação. As análises e opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não constituem aconselhamento jurídico.

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