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Segurança pública em 2025: entre a redução de homicídios e a alta da letalidade policial

O Brasil registrou quinto ano consecutivo de queda nos assassinatos, mas as mortes cometidas por policiais cresceram em 17 estados, gerando um paradoxo na política de segurança pública.

May 06, 2026 - 23:42
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Segurança pública em 2025: entre a redução de homicídios e a alta da letalidade policial
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A queda acumulada nos homicídios e o contexto da redução

O Brasil registrou, em 2025, a quinta queda anual consecutiva nas mortes violentas, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública consolidados até janeiro de 2026. Foram 34.086 casos de mortes violentas, contra 38.374 em 2024, o que representa uma redução de aproximadamente 11%. A média nacional passou de 18,05 assassinatos por 100 mil habitantes em 2024 para 15,97 em 2025. O recorde da série histórica permanece em 2017, com mais de 60 mil assassinatos, e a queda acumulada desde 2020 chega a 25%.

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Especialistas em segurança pública apontam para múltiplos fatores por trás da redução. Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explicou que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios, além de fatores políticos e ações públicas próximas ao período eleitoral. Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, destaca que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em territórios específicos, contribui para menos assassinatos. A pesquisadora afirma que, como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados.

Variações regionais e estados críticos

A queda nacional nos homicídios ocorreu em todas as cinco regiões do país. O Sul registrou redução de 22%, passando de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025. O Centro-Oeste caiu 18%, de 2.682 para 2.204. O Norte teve redução de 11%, de 4.304 para 3.829. O Nordeste recuou 10%, de 17.052 para 15.412. O Sudeste apresentou queda de 8%, de 10.401 para 9.586. Entre os estados, as maiores reduções foram em Mato Grosso do Sul, com queda de 28%, além de Paraná e Rio Grande do Sul, ambos com 24% de diminuição.

Por outro lado, três estados registraram alta: Tocantins subiu 17%, Rio Grande do Norte 14% e Roraima 9%. Quando observados os números absolutos, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco lideram como os estados com mais assassinatos em termos brutos, com 3.900, 3.581 e 3.023 casos respectivamente. Nas taxas por 100 mil habitantes, Ceará, Pernambuco e Alagoas encabezam o ranking, com 32,6, 31,6 e 29,4 assassinatos por grupo de 100 mil pessoas, respectivamente.

O paradoxo: homicídios em queda, mas letalidade policial em alta

Os dados sobre mortes cometidas por policiais mostram uma trajetória oposta à dos homicídios. Em 2025, o indicador cresceu em 17 estados brasileiros, segundo números do Ministério da Justiça compilados pelo G1. O caso mais expressivo foi Rondônia, que registrou 8 mortes em 2024 e 47 em 2025, um aumento de 488%. Em números absolutos, a Bahia lidera com 1.569 mortes cometidas por policiais, seguida por São Paulo com 835 e Rio de Janeiro com 798. Nas taxas por 100 mil habitantes, o Amapá registrou 17,11 mortes por 100 mil, a Bahia 10,55 e o Pará 7,28.

Um tenente-coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo, Adilson Paes de Souza, avalia que os números revelam a continuidade de uma lógica de política de segurança cujo foco é a eliminação de pessoas classificadas como marginais ou criminosas. O especialista afirma que essa lógica persiste independentemente de ideologia política, já que estados governados por diferentes partidos apresentam padrões similares de letalidade. Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, considera que políticas para dar alternativas de armas não letais aos policiais têm tido pouco efeito por decisão dos próprios estados, que não priorizam essa questão.

Mortes de agentes de segurança e a questão do suicídio policial

Enquanto as mortes cometidas por policiais cresceram, as mortes de agentes de segurança registraram queda em 2025: foram 185 casos, uma redução de 8% em comparação com 2024. O Rio de Janeiro concentrou quase 42% do total, com 77 mortes, uma alta de 35% em relação aos 57 casos do ano anterior. O estado respondeu por 28% dos policiais mortos em todo o país em 2024 e passou a representar uma fatia significativamente maior em 2025.

Os dados sobre suicídio de policiais também chamam atenção. Foram 131 suicídios em 2025, uma redução de 13% em relação aos 151 registrados em 2024, mas ainda equivale a um agente de segurança tirando a própria vida a cada três dias no Brasil. Nos últimos dez anos, o país perdeu 1.303 agentes de segurança vítimas de suicídio, sendo que a maioria era de policiais militares, com 865 casos, ou 64% do total. São Paulo registrou alta de 65% nos suicídios de policiais, que passaram de 17 para 28. O Rio de Janeiro, por sua vez, teve queda de 60%, de 18 para 7 suicídios.

Contrapontos, limites da análise e perspectivas

A interpretação dos dados de segurança pública no Brasil enfrenta limitações importantes. A subnotificação é um problema recorrente: nem toda violência que ocorre no país chega aos registros oficiais, especialmente nos casos de letalidade policial, onde há incentivos para não classificar mortes como decorrentes de ação policial. As próprias estatísticas de mortes cometidas por policiais são contabilizadas de forma diferente dos homicídios dolosos, o que dificulta a comparação direta entre os dois indicadores.

Especialistas também alertam que a redução nos homicídios pode ser parcialmente explicada por rearranjos entre facções criminosas, e não por políticas públicas eficazes de longo prazo. Se esses arranjos se desfeito, os números podem voltar a subir. Da mesma forma, o aumento na letalidade policial pode refletir tanto uma postura mais agressiva das forças de segurança quanto uma resposta a operações realizadas em contextos de conflito armado atualizado. Os dados do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam que a violência permanece profundamente estratificada por raça e classe, com comunidades negras e periféricas sendo as mais afetadas tanto como vítimas quanto como alvo de operações.

Cenários e implicações para políticas públicas

O paradoxo entre queda de homicídios e aumento da letalidade policial coloca desafios concretos para formuladores de políticas públicas. A abordagem tradicional de segurança baseada no uso de força letal não conseguiu reduzir criminalidade de forma sustentável, mas permanece como a principal estratégia em muitos estados. A Human Rights Watch recomendou, em relatório publicado em fevereiro de 2026, que as autoridades brasileiras adotem novas estratégias de segurança pública que desarticulem organizações criminosas e seus supostos vínculos com agentes estatais, fortaleçam investigações criminais independentes e promovam reformas para tornar a polícia mais eficaz na aplicação da lei.

Entre as questões em aberto estão a reforma das estruturas de investigação de mortes policiais, a implementação de protocolos de uso de força não letal, o fortalecimento de políticas de saúde mental para agentes de segurança e a criação de mecanismos de controle civil sobre a atividade policial. O monitoramento dos próximos indicadores será fundamental para determinar se a tendência de queda nos homicídios se sustenta independentemente dos níveis de letalidade policial.


Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação. O conteúdo foi revisado e validado antes da publicação. As análises e opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não constituem aconselhamento jurídico.

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