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Brasil no topo da música: como o streaming virou motor da ascensão brasileira no mercado global

O Brasil se tornou o 8º maior mercado de música gravada do mundo em 2025, impulsionado por R$ 2 bilhões em royalties no Spotify e pelo crescimento recordista do funk brasileiro.

May 17, 2026 - 07:01
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A quebra de barreira que o Brasil esperava

Pela primeira vez na história, o Brasil integra o ranking dos dez maiores mercados de música gravada do planeta. De acordo com o Relatório Global de Música da IFPI relativo a 2026, o país ocupa a 8ª posição, subindo um degrau em relação ao ano anterior. Trata-se de um marco que reflete décadas de investimento na infraestrutura digital, na formação de artistas e na reinvenção de uma indústria que soube identificar no streaming a sua principal via de expansão.

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O dado mais impressionante, porém, não está apenas na posição do ranking. Está no volume de recursos que circulou da plataforma para os bolsos dos artistas. Em 2025, músicos brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties somente no Spotify, o que representa um crescimento de 24% em relação a 2024. Para colocar esse número em perspectiva: os royalties pagos a artistas brasileiros no Spotify cresceram a quase o dobro da taxa do mercado fonográfico brasileiro como um todo, que avançou 14,1% no mesmo período.

A informação foi confirmada pelo próprio Spotify por meio do relatório anual de transparência Loud & Clear, publicado em maio de 2026. Segundo Carolina Alzuguir, head de Música do Spotify Brasil, a expansão não está concentrada no topo da pirâmide. O número de artistas brasileiros que superaram a marca de R$ 1 milhão em royalties na plataforma mais que dobrou nos últimos três anos, enquanto o número daqueles que ultrapassaram R$ 5 milhões quase triplicou em comparação com 2022.

O funk como motor da expansão internacional

Se há um gênero que encarna essa transformação, é o funk brasileiro. Em 2025, o funk foi o gênero musical de maior crescimento global entre todos aqueles que geraram mais de US$ 100 milhões no Spotify, com alta de 36% em relação ao ano anterior. O resultado superou fenômenos globais como K-Pop, Trap Latino, Urban Latino e Reggaeton, colocando a batida nascida nas periferias brasileiras no centro das paradas mundiais.

Essa expansão tem uma dimensão linguística. De todos os idiomas que geraram mais de US$ 100 milhões na plataforma em 2025, o português foi o que apresentou o maior crescimento global, avançando 26% em um ano e 51% em dois anos. Esse desempenho superou o inglês, o espanhol e o coreano, evidenciando que a internacionalização da música brasileira deixou de ser uma aspiração para se tornar um fenômeno mensurável e recorrente.

Parte desse sucesso se deve à capacidade do funk de se adaptar à lógica algorítmica das plataformas. As batidas repetitivas, as melodias vocais marcantes e os temas que dialogam com a vida urbana ressoam com audiências globais que buscam identificação cultural para além das barreiras idiomáticas. A viralização por meio do TikTok e do Instagram funcionou como catalisador, criando um ciclo virtuoso entre criação de conteúdo, consumo e descoberta.

O papel do streaming na democratização da receita musical

O dado que talvez mais chame a atenção na pesquisa do Spotify é a distribuição mais equilibrada da receita entre artistas independentes e grandes gravadoras. Os royalties gerados por artistas ou selos independentes brasileiros no Spotify em 2025 superaram a média global em aproximadamente 50%. Esse dado indica que, pela primeira vez, uma parcela significativa dos recursos está chegando a criadores que operam fora dos canais tradicionais da indústria fonográfica.

Antes do streaming, a indústria fonográfica brasileira era profundamente centralizada. O acesso à distribuição dependia de relações com gravadoras, e a visibilidade em rádios e programas de televisão seguia lógicas comerciais que nem sempre favoreciam a diversidade musical. O modelo de agregação algorítmica mudou esse cenário: um artista sem contrato com grandes gravadoras pode hoje alcançar milhões de ouvintes mensais, desde que seu conteúdo seja relevante o suficiente para os critérios de recomendação das plataformas.

O caso do Veigh, citado pelo Spotify como exemplo, é representativo dessa tendência. Selecionado para o programa RADAR Brasil em 2022, quando tinha pouco mais de 400 mil ouvintes mensais, o artista passou a acumular mais de 7,8 milhões em 2026. Seu álbum Dos Prédios Deluxe alcançou o primeiro lugar no Global Top Albums Debut do Spotify, e suas músicas foram adicionadas a mais de 7 milhões de playlists ao redor do mundo. Essa trajetória sugere que a criação de uma carreira sustentável de música no Brasil nunca dependeu tão pouco das estruturas tradicionais da indústria.

Audiência doméstica e o fenômeno da nacionalização

Um dado que reforça a transformação cultural é o nível de nacionalização do consumo musical no Brasil. Em 2025, 84% das faixas presentes na lista diária Top 50 do Spotify Brasil eram de artistas locais, um dos maiores índices de consumo de música doméstica do mundo. Isso significa que, pela primeira vez, a preferência do público brasileiro por conteúdo nacional deixou de ser uma anomalia para se tornar um padrão consistente e mensurável.

Esse fenômeno tem implicações profundas para a cadeia produtiva da música. Quando o público valoriza artistas locais, os investimentos em música brasileira se tornam mais rentáveis, o que retroalimenta o ciclo de produção. Festivais, casas de show, produtoras e distribuidores passam a ter mais previsibilidade financeira, criando um ecossistema mais robusto e diversificado.

Inteligência artificial e o futuro da composição musical

Ao mesmo tempo em que o Brasil consolida sua posição no cenário global, a inteligência artificial está redesenhando o mapa da criação musical em todo o mundo. Em 2026, modelos de linguagem de grande escala especializados em musicologia e análise de dados de consumo se tornaram ferramentas padrão nos estúdios de Los Angeles, Londres e também de São Paulo. Softwares como SoundGen Pro e MelodyLogic 4.0 integram análise de micro-gêneros emergentes no TikTok, identificação de batidas por minuto que geram maior retenção e sugestão de progressões de acordes com maior probabilidade estatística de aprovação do ouvido humano.

Artistas como The Weeknd e Grimes já declararam publicamente que utilizam copilotos de IA para expandir suas capacidades criativas. Na prática, a tecnologia funciona como um estagiário de luxo que nunca dorme: o compositor insere um conceito central, como uma emoção ou uma referência estética, e o software gera centenas de variações de melodias e arranjos. O papel do artista evoluiu para o de curador de alta precisão, capaz de identificar, entre as opções geradas pela máquina, aquela que possui a autenticidade necessária para conectar com o público.

As projeções da Goldman Sachs para o setor musical indicam que a produtividade da indústria cresceu 20% desde que a IA se tornou o motor principal da composição, com uma taxa de rejeição muito menor nos primeiros 30 segundos de audição. Contudo, a massificação da produção musical por IA também traz desafios regulatórios e econômicos. A plataforma Deezer já identificou a existência de cerca de 60 mil faixas criadas integralmente por inteligência artificial em seu catálogo, o que suscita questões sobre a definição de autoria, a distribuição de royalties e o futuro do trabalho criativo.

Contrapontos: o que os números não mostram

Apesar da euforia com os recordes de royalties, especialistas alertam para a necessidade de nuançar a leitura dos dados. O crescimento do valor total de royalties não significa, necessariamente, que cada artista individual esteja ganhando mais por streaming. O modelo de royalties do Spotify é baseado em um fundo comum, e o valor pago por faixa depende de uma complexa partilha que envolve o número total de streamings na plataforma, a proporção de streams de cada artista e o tipo de assinatura dos usuários que ouviram essa música.

Além disso, a concentração do crescimento em gêneros específicos levanta questões sobre a representatividade real da expansão. O funk brasileiro, que liderou o crescimento, é ainda hoje um gênero estigmatizado por parcela da classe média e da crítica musical tradicional. O crescimento dos números não eliminou, por si só, os preconceitos estruturais que cercam a música popular urbana.

Também é importante considerar que os R$ 2 bilhões em royalties referem-se apenas ao Spotify. Outras plataformas, como Apple Music, Deezer, Amazon Music e YouTube Music, também absorvem parcela significativa do consumo musical brasileiro, e os dados consolidados da IFPI mostram que o mercado brasileiro como um todo gerou US$ 707,7 milhões em 2025. A fotografia do ecossistema é mais complexa do que um único número pode capturar.

Impactos práticos e o que esperar para o futuro

Para artistas e profissionais da música, os dados de 2025 confirmam uma tendência que já era perceptível: o streaming mudou irreversivelmente a dinâmica de poder entre gravadoras, plataformas e criadores. A transparência oferecida por relatórios como o Loud & Clear permite que artistas acompanhem, em tempo real, a performance comercial de seu trabalho, o que democratiza o acesso à informação e fortalece a capacidade de negociação individual.

Para o mercado como um todo, a posição do Brasil como 8º maior mercado global abre portas para investimentos internacionais em infraestrutura musical. Festivais globais, tours internacionais e parcerias com artistas estrangeiros tendem a se tornar mais frequentes, elevando o potencial turístico dos grandes centros musicais brasileiros.

Para a inteligência artificial, o cenário permanece em rápida evolução. A regulamentação do uso de IA na criação musical ainda é incipiente, e os debates sobre direitos autorais, remuneração de criadores e transparência na identificação de conteúdo gerado por algoritmos devem se intensificar nos próximos anos. O Brasil, como mercado em ascensão e com uma cena musical diversificada, tem potencial para ocupar um papel relevante nessa discussão, tanto como gerador de conteúdo quanto como formulador de políticas.

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Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação e de forma automatizada. As análises e opiniões expressas não constituem aconselhamento jurídico.

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