Mais da metade dos empregos no Brasil pode ser impactada pela automação: o que a robótica e a IA estão mudando no mercado de trabalho
Estudos indicam que mais de 50% dos empregos no Brasil enfrentam risco elevado de automação ou transformação significativa nas próximas décadas. A robótica avançada e a inteligência artificial aceleram mudanças no chão de fábrica e no mercado de trabalho.
O que os estudos dizem sobre automação e emprego no Brasil
Os avanços em automação, digitalização e inteligência artificial estão transformando o mercado de trabalho em escala global. Em países de renda média, como o Brasil, os riscos associados a esse processo tendem a ser mais elevados. É o que mostra o estudo Evidências sobre Políticas de Mercado de Trabalho e Implicações para o Brasil: Futuro do Trabalho, publicado pela JOI Brasil em parceria com o Banco Interamericano do Desenvolvimento. Segundo a pesquisa, mais de 50% dos empregos no Brasil apresentam alto risco de automação ou transformação significativa entre 10 e 20 anos, percentual superior ao observado em economias como Estados Unidos e países europeus.
A pesquisa indica que a América Latina e o Caribe concentram alguns dos maiores riscos globais de automação, especialmente em ocupações de baixa e média qualificação. O professor André Mancha, da FEA-USP e coautor do estudo, afirma que o Brasil está mais exposto porque reúne alta participação de ocupações rotineiras, desigualdades estruturais no mercado de trabalho e menor capacidade de adaptação rápida às transformações tecnológicas. Isso não significa que os impactos sejam inevitáveis, mas que, sem políticas públicas bem desenhadas, a automação pode ampliar desigualdades já existentes.
A transformação do chão de fábrica brasileiro
A modernização do chão de fábrica brasileiro já está em curso e avança de forma consistente, ainda que em diferentes estágios de maturidade entre empresas e setores. Diante dos desafios da competitividade global, a incorporação da automação, da robótica e da inteligência artificial consolida-se como vetor de evolução da manufatura nacional. A CNI destaca que o uso de IA, automação avançada e ferramentas digitais é essencial para elevar a performance e fortalecer a competitividade do Brasil.
Os obstáculos à adoção de tecnologias
O ritmo de adoção dessas inovações é influenciado por diferentes fatores que compõem o ambiente de negócios industrial. Entre os principais obstáculos apontados pela CNI, destacam-se a elevada carga tributária, mencionada por 42,7% das indústrias de transformação, o custo e a disponibilidade de profissionais qualificados, apontados por 29,2%, e as taxas de juros, referidas por 27,6%. Esse contexto reforça a importância de estratégias integradas e do avanço contínuo em tecnologia para sustentar a competitividade no longo prazo.
Segundo dados levantados pela entidade, as indústrias de pequeno porte representam 94,2% do total de empresas do país e registraram variações de desempenho significativas. O índice de confiança do empresário industrial permaneceu abaixo da linha dos 50 pontos por 14 meses consecutivos até o final de 2025, indicando um cenário de atenção, mas também de preparação para novos ciclos de investimento e modernização.
Indústria 4.0 e os desafios da produtividade brasileira
A produtividade por hora trabalhada da indústria de transformação brasileira acumula queda de 0,9% ao ano entre 1995 e 2024, segundo estudo da economista Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV Ibre. Em 1995, a produtividade por hora trabalhada da indústria de transformação era 78% superior à da economia como um todo. Quase 30 anos depois, em 2024, a diferença foi reduzida a 9%. O valor da agropecuária avançou de R$ 7,5 para R$ 40,6 no período, enquanto a indústria caiu de R$ 58,8 para R$ 45,3 a preços reais de 2021.
Por que a produtividade importa para a competitividade
A situação da indústria brasileira impõe desafios adicionais para a incorporação de novas tecnologias digitais e aumenta o risco de acirramento da concorrência com competidores internacionais. O diretor-executivo do Instituto para o Estudo e o Desenvolvimento Industrial, Rafael Cagnin, avalia que a indústria brasileira está na direção correta e tem avanços, mas eles precisam ser compatíveis com o nível mundial, e a velocidade ainda não é a necessária.
Dados da Pesquisa de Inovação mostram que a adoção de inteligência artificial pelas empresas industriais brasileiras mais que dobrou entre 2022 e 2024, passando de 16,9% para 41,9% do total. A participação das empresas com utilização das seis tecnologias digitais investigadas pelo IBGE aumentou de 3,7% para 5% no mesmo período. São consideradas tecnologias como análise de big data, computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, manufatura aditiva e robótica.
Quem são os mais vulneráveis: gênero, raça e qualificação
O estudo da JOI Brasil também destaca que os impactos da automação são desiguais. Evidências internacionais mostram que mulheres e pessoas negras estão mais expostas a empregos com alto risco de substituição tecnológica e enfrentam mais barreiras de acesso a setores em expansão. Em 80 países analisados, mulheres representavam 40% ou mais da força de trabalho em tecnologia da informação em apenas 12 deles.
Na Argentina e na Colômbia, apesar de serem maioria entre os graduados no ensino superior, as mulheres representam apenas de 9% a 15% das formadas em ciência da computação. Avaliações de cursos intensivos de programação nesses países indicaram aumento da probabilidade de emprego em tecnologia poucos meses após a formação, sugerindo caminhos possíveis para reduzir essas disparidades.
A economia de plataformas e suas ambiguidades
O estudo também destaca o crescimento da economia de plataformas. No Brasil, 2,1 milhões de pessoas já trabalham por meio de aplicativos, o equivalente a 2,4% da população ocupada, segundo dados do IBGE de 2023. Para comparação, pesquisas indicam que cerca de 10% dos trabalhadores nos Estados Unidos atuavam em arranjos não tradicionais. Apesar da flexibilidade, esses vínculos costumam estar associados à instabilidade de renda e à ausência de proteção social.
Contrapontos: por que a tecnologia pode não destruir empregos em massa
As estimativas sobre o impacto da automação reconhecem um padrão relevante: as projeções não apontam para eliminação massiva de postos de trabalho, mas sim para transformação profunda das ocupações. A maior parte dos empregos será remodelada, não eliminada. Especialistas apontam que a automação pode criar novas profissões ligadas à programação, manutenção de robôs, gestão de sistemas integrados e análise de dados, entre outras.
Nos Estados Unidos, avaliações muestran que o uso de inteligência artificial elevou a produtividade e a satisfação no trabalho, com efeitos mais fortes entre profissionais menos qualificados e redução das desigualdades internas. No Quênia, programas que combinaram capacitação em habilidades digitais com apoio direto à inserção profissional resultaram em aumento de renda e redução do desemprego, enquanto iniciativas baseadas apenas em treinamento tiveram efeitos limitados. As evidências sugerem que a tecnologia pode gerar ganhos relevantes, mas esses ganhos dependem de investimentos complementares em qualificação, proteção social e desenho institucional adequado.
De outro lado, a fuga de mão de obra qualificada representa um desafio concreto para o setor industrial brasileiro. A escassez de profissionais em automação e IA afeta a capacidade de modernização, e o setor enfrenta dificuldade para atrair jovens que preferem empreender em vez de trabalhar em fábricas. O problema não é apenas quantitativo, mas qualitativo: há vagas disponíveis, mas não há profissionais com a qualificação demanded.
Cenários e síntese: o que esperar para a próxima década
O cenário mais provável é de transformação acelerada, não de substituição súbita. A transição será gradual, mas exigirá políticas públicas ativas para mitigar efeitos distributivos adversos. O Brasil precisa combinar investimentos em qualificação profissional com ampliação da proteção social para trabalhadores deslocados, além de criar mecanismos de intermediação de mão de obra que conectem oferta e demanda em setores em expansão.
A janela de oportunidade está aberta, e os próximos passos serão decisivos para consolidar um mercado de trabalho mais produtivo, competitivo e preparado para o futuro. A integração de tecnologias como robótica avançada, inteligência artificial e internet das coisas no chão de fábrica brasileiro avança, mas a velocidade depende não apenas de decisões empresariales, mas também de políticas públicas que reduzam barreiras tributárias, financias e de qualificação que currently limitam a expansão.
Este artigo foi elaborado com apoio de inteligência artificial generativa como ferramenta de assistência à redação. O conteúdo foi revisado e validado antes da publicação. As análises e opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não constituem aconselhamento jurídico.
whats_your_reaction
like
0
dislike
0
love
0
funny
0
wow
0
sad
0
angry
0




Comentários (0)